domingo, 23 de novembro de 2014

NO TÚNEL DO AMOR

 
 
 
''Aparecem as flores na terra, o tempo de cantar chega, e a voz da rola ouve-se em nossa terra''.
 
(Cantares de Salomão 2:12)
 
 
 
Esbaforida, ofegante, correndo, entrei precocemente no túnel do amor; na minha inabilidade tropecei numa pedra, no primeiro obstáculo que encontrei e cair. Receosa e precavida me levantei, desta vez, comecei a andar, com passos bem lentos; mas me deparei com outro obstáculo, uma chuva que caía torrencialmente, busquei abrigo e não encontrei; estava completamente ensopada, sem alento, nem acalento.
 
Por um momento de lucidez observei um passarinho que aproveitava a chuva para tomar banho numa poça d'água; ele feliz gorjeava e cantava;  neste momento ímpar eu aprendi uma lição preciosa com ele: se quero amar tenho que me molhar, me arriscar diante da imprevisibilidade da avalanche!
 
''Não há convite maior do amor do que começarmos a amar'' (Agostinho de Hipona)
 
Tentei me aproximar dele, buscar contato, mas ele bem afoito voou e pousou num arbusto longe do meu alcance; e mesmo sem aquilatar, ele me ensinou outra lição: amar é saber respeitar as escolhas do ser amado; incentivando-o e apoiando nas suas decisões, mesmo que, em alguns momentos e algumas situações, elas o leve para bem longe de nós, do nosso maior aconchego.
 
Novamente faceiro o passarinho me surpreendeu e se aquietou e pousou na relva bem pertinho de mim; me legando a incrível oportunidade de afagá-lo, tocar na sua cabeça tão pequena, mas contendo dentro dela o élan divino que o inspira a ser livre e a voar...Aprendi na proximidade e na intimidade com ele, que amar é desfrutar intensamente e plenamente os momentos ao lado do ser amado; pois o amanhã não nos pertence, nem tampouco nos é garantido.
 
E observando o passarinho se desvencilhando das minhas mãos e  voando... aprendi a mais importante lição: não devo despertar o desejo de amar em outro ser, se não tenho afeto por ele, se não estou disposta a amar, me comprometer de corpo, de alma e de espírito com a outra pessoa (uma só carne).  (Cantares de Salomão 2:7, 3:5; 8:4)
 
Desfrutando um verdadeiro amor, pelo qual, ambos se deleitam-- os dois passarinhos voam juntos;  jamais dizendo adeus, e sim, um até breve, quando a morte nos separar! 
 
 
''Homem, nunca diga a uma mulher que a ama, se você não pensa em casar  com ela.
 
 Mulher, nunca diga a um homem que você o ama, se não pensa em casar com ele''.  (Paul Washer)
 
 
''A glória de homem é que ele é o cabeça; sua humildade é que ele não está completo sem a mulher. A glória de mulher é que só ela pode completar o homem; sua humildade é que ela é feita do homem''. (Joel Beeke)
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

sábado, 17 de agosto de 2013

A SOMBRA DA ASA PARTIDA




Todos os dias o passarinho pousava naquele terraço e  ficava observando um homem andando de um lado para o outro, parecendo preocupado, alheio a sua presença; e ele resolveu gorjear, cantar; mas não conseguiu o seu intento; e continuou visitando aquele homem...
 
Foi ganhando a sua confiança e o homem até sorriu quando o viu mais uma vez; em outro momento ele lhe ofereceu uma banana e uma vasilha de água, deixando-as em cima do muro; então o passarinho percebeu que o homem era seu amigo e lhe tinha afeição; uma amizade se iniciou entre eles;  podia chover e lá estava o passarinho no terraço, e o homem também.
 
Já não importava ao passarinho voar alto, ele se sentia feliz, voando baixo, pairando no terraço, ficando ao lado de seu amigo; um dia ele chegou muito diferente, olhou-o de um jeito esquisito,  e o surpreendeu apontando algo pra o passarinho; mas se vinha de seu amigo, só poderia ser bom, prazeroso; resolveu então entoar um canto tão mavioso como nunca tinha cantado antes, e olhá-lo com aquele jeito especial de amor e ternura.
 
Mas foi surpreendido,  açoitado por uma pedrinha, lançada de um estilingue,  que dilacerou as suas asas ele gemeu de tanta dor e caiu...quando acordou estava preso em uma gaiola, e o seu amigo o observava; aliás todos dias, ele vinha só pra observá-lo, trocar a sua água e a sua comida...mas nada era mais igual, o passarinho não tinha alegria de cantar, de gorjear, nem muito de saborear a sua comida.
 
Também não conseguia mais se alegrar com a presença de seu amigo, nem  confiar mais nele; e quando ele se aproximava, o pobre passarinho se encolhia e se afastava.
 
Quanto tempo esse martírio durou o passarinho nem sabia aquilatar, mas a dor não passava; por que aquele  homem não tinha atirado a pedrinha na sua cabeça, era melhor a morte, do que viver preso, sem ter o amor verdadeiro de seu amigo.
 
Um dia o homem chegou mais uma vez diferente, pegou a gaiola e foi ao terraço...e novamente ficou andando de um lado para o outro e quando o passarinho observou-o melhor, viu que ele estava chorando e se aproximou da gaiola e abriu a sua porta e disse: Voe, voe, seja livre!
 
Mas o passarinho não conseguia sair da gaiola, nem se mexer do lugar; e o homem gritando e ele não se mexendo; até que o homem irritado saiu do terraço, deixando a gaiola aberta e o passarinho não se mexia, tremia de medo e pavor,  só de pensar em voar e deixar o seu maior algoz.
 
Anoiteceu e o homem voltou ao terraço, com um cheiro forte de bebida; e fechou a gaiola, levou-a para sala, cobrindo-a com um pano preto; e o passarinho tristonho dormiu. E ele ligou a televisão e ficou assistindo-a até dormir, roncar...
 
 
Assim caminha a interação do homem com seu passarinho; os dois  contagiados com a sombra da síndrome da asa partida; bicho homem preso na sua casa com medo de se relacionar, sair x passarinho bicho medroso, tolhido, com medo de voar; mesmo tendo se recuperado das feridas das suas asas; as feridas da sua alma não cicatrizaram e  ainda sangram....